17 February 2017

The best free views of London and the finest food market


Olá a todos! Como sabem, fui passar o meu 22.º aniversário a Londres. Já era um sonho meu ir lá e esta viagem ultrapassou todas as minhas expectativas. A primeira vez que fui a Londres, tinha cinco anos – e a única coisa de que me lembro foi de me assustar com a estátua de cera de uma princesa no Madame Tussauds – e há dois anos – o dia e meio em que lá estivemos não foi definitivamente, suficiente para explorar esta metrópole gigante e sempre em movimento.

Desta vez, ficámos uns bons três dias, andámos 17 quilómetros por dia a pé, de autocarro e metro, vimos as atrações principais, comemos em mercados incríveis e ainda estivemos debaixo de chuva.

Da mesma maneira como editei os meus vídeos (podes ver a primeira parte AQUI), dividirei as minhas publicações em três partes. Como tirei tantas fotografias e até tenho algumas coisas a dizer sobre cada sítio em que parámos, achei melhor publicar posts mais pequenos em vez de um gigante com imensas letras que sei que vocês iriam saltar...

Por isso, aqui vai a parte 1:

Depois do trabalho na quinta-feira, apanhei o voo da noite de Copenhaga para Gatwick (sim, estou a viver em Copenhaga! Não sabias? Carrega AQUI para saberes o que cá estou a fazer, mas não te esqueças de voltar a esta página). O comboio express do aeroporto para o centro é fantástico. Trinta minutos e 22£ mais tarde, estava em Victoria Station. Aí comprei logo uma sandes e cubos de fruta na M&S – já que a Norwegian cobra por comida e eu sou super forreta (okay, não com os meus cafés – esses são o meu ponto fraco).

[EN]: Hey, everyone! As you may know, I went to London to spend my 22nd birthday (oh my goodness, I’m getting old…). It has been a dream of mine going there and this trip surpassed every expectation. I had been in London when I was five – and the only thing I remember is being afraid of some princess at Madam Tussaud’s – and two years ago – and one day and a half weren't clearly enough to get a true feel of this huge and beautiful and always-moving metropolis.

This time, we spent a proper three days here, walked 17 km per day, rode a lot of buses and tubes, saw the main attractions, ate at amazing markets and walked under pouring rain.

Like my videos (you can see part 1 HERE), I’ll divide my posts into three parts. As I took so many photos and have quite a bit to say about each place, I think it’s best for you to get smaller posts than a foot long page with pictures and a whole bunch of letters I know you’ll skip…

So here’s part 1:

After work on Thursday, I got the late flight from CPH to Gatwick (yes, I'm living in Copenhagen. Didn't you know? Click HERE to read more about it, but come back afterwards). The express train from the airport to the city centre is fantastic. 30 minutes and 22£ later, there I was in the middle of Victoria Station. There I bought a sandwich and a package of fruit cubes at M&S – since Norwegian charges for food and I’m cheap as hell (okay, not when it comes to cute coffee shops – that’s my weak spot).




Na manhã seguinte, tínhamos agendado uma visita ao Sky Garden (é um dos terraços em Londres com a melhor vista para a cidade e é GRÁTIS! Só se tem de agendar a visita pela net com alguma antecedência). De lá de cima pode-se ver toda a cidade, incluindo a Tower Bridge, o Shard e o Gherkin. Tem também alguns cafés, bares e restaurantes onde se se pode deliciar com um drink ou uma refeição no topo de Londres.

Next morning, I had scheduled a visit to Sky Garden (it’s one of London’s rooftop with the most beautiful scenery from up there and it’s FREE! You just have to schedule it on their website in advance). From there you can see the whole city, including the Tower Bridge, the Shard and the Gherkin. It also has cafés, bars and restaurants so you can enjoy a drink on top of London.



Achei que a Cidade de Londres, o distrito financeiro, era muito parecido com a cidade de Nova Iorque. Cada vez que olhava para cima, os arranha-céus tornavam-se gigantes. E era bastante notória a existência de estruturas modernas – quase que futurísticas – em simultâneo com algumas da 'antiguidade', o que torna esta parte da cidade única.

Um facto engraçado: 'Gherkin' quer mesmo dizer, em inglês, pepino. Por isso, se reparaste na forma do vegetal neste edifício, sabes que foi com essa mesma intenção.



I found the City of London, the financial district, to be very similar to New York City. Every time you would look up, the bigger the building would get. And it was notorious the existence of both modern and 'ancient' structures, making this area unique.



Funny fact: 'Gherkin' actual means cucumber in English. So if it reminded you of the vegetable, don't worry, it was constructed on purpose. 


left: Sky Garden looking up, right: the Gherkin

De seguida, estava a Tower Bridge no nosso horário – sim, nós decidimos cada passo que íamos dar num excel na Drive do Google. Eu sou assim, organizada.

É magnífica. E o toque daquele azul do céu na ponto fá-la ganhar vida!

Apesar de ser muito mais encantadora de fora. Pusémo-nos do lado contrário à Tower of London, no Queen's Way perto do City Hall, e pudemos ver os vários edifícios a formarem-se no horizonte da cidade.


Next on our schedule, was the Tower Bridge – yup, we decided every step we were going to take on a Google Drive spreadsheet. I’m that organised.

It’s quite magnificent. And that touch of sky blue on the bridge makes it come alive! 

Though it’s the most beautiful looking from the outside. Here we were standing in the City Hall in Queen’s way. From there you get a view of the Tower Bridge, the Tower of London and so many huge buildings forming in the city’s skyline. 



A caminho do almoço, fizemos um pequeno detour para mirar o Shard. Este foi considerado, em 2011, o edifício mais alto da Europa e da União Europeia com mais de 310 metros de altura! A melhor maneira de tirar uma fotografia a este monumento é deitar-se no chão ou ter uma wide lense.


On our way to lunch, we took a little detour to check the Shard out. In 2011, it was considered the tallest building in Europe and inside the EU, with over 310 meters of height. The best way to take a picture of this monument is to either lay on the floor on your back or have a wide lens.




Se gostas de street food, então não podes deixar passar o Borough Market. É o mercado de comida mais antigo de Londres (tem servido comida desde há 1000 anos). Aqui, podes comprar produtos frescos directamente dos agricultores e pastores, e ainda comer uma bela sandes de vaca e um macarron por um preço simpático. Há várias alternativas para todos os gostos, há várias bancadas de doces, cafés e bebidas. 

No geral, é um ambiente jovem e divertido que te garante uma ótima refeição.


If you're into street food and fine delicacies, then you must go to Borough Market. It's the oldest food market in London (has been serving food for over 1000 years!). There you can shop for fresh produce directly from the farmers, and also get a fine pork sandwich and macaroon for a decent price. There are a lot of options for all tastes, a lot of sweets and pastry stands, coffee and other drinks bars. 

Overall, it's a fun and young vibe and guarantees you a great meal.




Foi uma pena não termos visitado as exposições *grátis* de arte moderna no Tate, mas quando se está sempre a andar e tirar fotografias e a filmar – sim, tudo ao mesmo tempo! –, precisa-se de um tempo sentado a recarregar baterias (dos vários aparelhos eletrónicos e das nossas próprias).

Subimos até ao café deste museu e deparámo-nos com uma outra vista arrebatadora de Londres. Desta vez, do lado contrário do Sky Garden. Bebemos o nosso cappucino e mini-pint debruçados sobre o rio Tâmisa e recuperámos as energias para, de seguida, atravessar a incrivelmente moderna Millennium Bridge e chegarmos à antiga Catedral de St. Paul.


It was a pity that we missed the *free* modern art expositions at Tate Modern, but when you're walking and taking pictures and filming – yes, all at the same time! –, you need some time to recharge batteries (and I mean the electronic devices' and our own).



We went up to the coffee shop of this museum and encountered a sweeping view of London. This time, from the opposite side of Sky Garden. We drank our cappuccino and mini-pint leaning over the river Thames and got our strengths back to cross the amazingly modern Millennium Bridge and reach the old St. Paul's Cathedral.




Como ainda era inverno, o sol pôs-se às quatro e meia da tarde, e quando chegámos ao Big Ben já estava escuro. Na vida real, a paisagem era linda, com o seu reflexo no rio e as luzinhas de cada casa de um milhão de pounds acesas. Na imagem, parece uma porcaria…


As it was winter, the sun set at 4.30pm and, by the time we got to Big Ben, it was already dark. In real life, it was beautiful watching its reflection on the river and the little lights of each million dollar apartment on the bay side. On the picture, it just looks crappy...



Fica atento à segunda parte, brevemente, aqui!

Stay tuned for part two, soon, in here!

02 February 2017

London Calling


Olá a todos! Um pequeno update: vou a Londres! Na verdade, enquanto estiverem a ler isto, estarei a embarcar e a caminho de Gatwick. Já que estou tão perto desta cidade linda, pensei em celebrar o meu 22.º aniversário a fazer algo de que adoro – viajar com amigos.

Foi no verão de 2014 que a minha família e eu fizemos uma viagem de 10 dias pela Inglaterra, e Londres foi a nossa última paragem. Mas ao ser a última cidade que visitámos, a minha energia já estava a zeros, tanto que adormeci num café em frente à Tower of London...

Desta vez, não posso adormecer pois tenho um horário bem preenchido com imensos sítios que quero visitar, como Notting Hill, Portobello Road, Convent Garden e, pelo menos, três cafés tipicamente londrinos. Embora o tempo não será o melhor – também, quando é que não chove em Londres?

Já alguma vez foram a Londres? Se sim, quais diriam que são os vossos TOP 3 sítios para visitar? E restaurantes ou cafés? E gostariam de ver um vlog ou apenas um post aqui no blog?

Não se esqueçam de ir seguindo a viagem pelo meu Instagram (@inesserodio95).

[EN]: Hi everybody! Quick update: I'm going to London! Actually, by the time you're reading this, I'll be boarding and on my way to Gatwick. Since I'm so close to this beautiful city, I thought I could spend my 22nd birthday doing what I love the most – travelling with friends!

 It has been 3 years since I was last here. It was summer 2014 when my family and I went on a 10-day trip around the UK, and London was our last stop. But being the last city to visit, my energy wasn't the same as when we got to Dublin (our first destination). So I ended up falling asleep right in front of the Tower of London...

This time, I won't fall asleep – I hope – cuz I'm planning to see lots of places, such as Notting Hill, Portobello Road, Convent Garden and, at least, three Londoner coffee shops. Though the weather won't be the best – when does it not rain in London, am I right?

Have you ever been there? What are your top 3 places to visit there? What about restaurants and coffee shops? And would you like me to vlog the trip or just blog about it?

Don't forget to follow my trip on my Instagram (@inesserodio95).

26 January 2017

Postcards from CPH


Hejsä! Este post vem diretamente do coração da Dinamarca – Copenhaga. É isso mesmo, mais um sítio que posso adicionar à minha lista de sítios onde vivi. E este é bastante especial, é aqui que a minha meia-irmã vive e estou a adorar passar mais tempo com ela, em vez de nos vermos uma vez por ano.

O primeiro fim-de-semana na cidade foi passado a passear com uma nova amiga que fiz ao embarcar no avião a caminho de cá. E o nome dela... Inês! Coincidência? Acho que não. Era suposto acontecer!

[EN]: Hejsä! This post comes directly from the heart of Denmark – Copenhagen. That's right, one more place to add to the list of places I've lived in. And this one is quite special, it's where my half sister lives and I'm delighted to be living with her and spending more time with her, instead of just once a year.

The first weekend in town was spent just strolling around with a new friend I met on the airplane coming over here. And her name... Inês! Coincidence? I don't think so. It was meant to be!


A primeira coisa que combinámos fazer foi ir a um brunch. Sabem como sou completamente rendida ao Instagram: é aqui que encontro inspiração para fotografias, looks, viagens e, claro, comida. Com uma pequena pesquisa no "places" encontrei logo cafés que quero ir e sítios onde quero fotografar. Aqui, em Copenhaga, o brunch é grande. Há imensos sítios onde ir, e o primeiro que escolhemos foi o MAD & KAFFE (que se traduz para 'comida e café', muito específico). Só quando lá chegámos e tivemos de esperar uma hora ao frio para arranjar mesa, é que nos apercebemos que este era O sítio – mas valeu a espera!

First things first: brunch! You know how devoted I am to Instagram. That is where I find all my inspirations for photos, outfits, travels and, of course, food. With a quick search on "places", I found 10 new coffee shops I NEED to go and places to shoot. Here, in Copenhagen, they're big on brunch. There are tons of locations, and the first one we chose was MAD & KAFFE (which literally translates to 'food & coffee', pretty to the point). Only after getting there and having to wait one hour in the cold to get a table, was that I discovered it was THE place to brunch – but it so worth the wait!


No MAD & KAFFE eram-nos apresentadas três opçōes de brunch: uma em que podíamos escolher até 3 peças, outro até 5 e ainda um até 7 – escolhemos este último e partilhámos. O bom é que ao escolher exatamente o que queríamos, não éramos forçadas a comer aquelas salsichas que normalmente vêm e que nunca ninguém quer.

A apresentação era impecável: numa tábua de madeira foi-nos apresentado o brunch perfeito para o Instagram. Ok, tivemos um pouco mais olhos do que barriga, mas era tudo tão apelativo e, sim, delicioso. Pedimos uma porção de iogurte de soja de frutos vermelhos com granola, dois abacates com chilli e azeite, ovos mexidos com cogumelos, papas de aveia com molho de caramelo, pepitas de chocolate e banana desidratada – este era indiscritivelmente delicioso, a aveia parecia um pudim docinho –, um prato de salmão fumado e um cesto de pão. Isto que acompanhámos com um sumo de cenoura, gengibre e maçã para ela e um cappuccino com leite de amêndoa para mim.

At MAD & KAFFE there were three types of brunch menus: one where you could choose 3 pieces, other to choose 5 and one other to choose 7 – we chose this last one and shared it. These 7 pieces were completely up to us to choose from a big list, so we got exactly what we wanted, instead of leaving those sausages that everyone gets and nobody eats.

The presentation was impeccable: in a wooden board, we were presented with a, what I like to call, perfect Instagrammable brunch. Ok, we got more than we could handle, but it all looked so appealing and, indeed, tasty. We ordered a portion of soy blackberry yoghurt, two halves of avocado drizzled with olive oil and chilli flakes, scrambled eggs with mushrooms, porridge with dried banana slices, caramel sauce and chocolate chips – this was heavenly, the oats were so hydrated that it tasted like a real pudding –, a portion of smoked salmon and a bread basket. To follow it, she got an apple, carrot and ginger juice and I got an almond cappuccino, of course.


De seguida, seguimos caminho com a ajuda (santíssima) do Google Maps e, em 40 minutos levando com frio gélido nas nossas caras, chegámos a Nyhavn (pronuncia-se 'nuhaun' e quer dizer "novo porto").

Mais turístico não há, diria mesmo que estas docas coloridas são o selling-point da capital dinamarquesa.

O que a Inês me contou foi que cada casa, antigamente, era pintada de acordo com a riqueza de cada armazém. Se pintassem de azul escuro, mostraria boas posses, se pintassem de laranja, insinuaria poucas posses. E as cores entre estas, que se ajustassem.

Next, we headed our way to Nyhavn (pronounced 'nuhaun' and menaing "new harbour") with the (hole) help of Google Maps. It took us 40 minutes and a whole lot of freezing wind blowing in our faces.

If you want to go somewhere touristic in CPH, this is the place. In fact, it's this danish city's selling point.

What Inês told me was that, back in the day, each house was painted accordingly to the richness of its owner. So if the house was painted in dark blue, you could tell the warehouse   owner had money; if painted in orange, then it would suggest they had little money. And the in between colours would adjust themselves according to this pattern.


Nos 400 metros que compõem este porto, há variadíssimos restaurantes, bares e cafés típicos. Há dois anos, não consegui resistir em provar uma waffle num pauzinho e, desta vez, quando vi a loja de waffles aberta, nem pensei duas vezes e pedi o mesmo: uma waffle mergulhada em chocolate negro e coberta com raspas de côco.

In those 400 metres that make the harbour, there are loads of typical restaurants, bars and coffeeshops. Two years ago I couldn't resist trying this waffle on a stick, and when I saw it, this time, I had to have the exact same one: drizzled in dark chocolate and covered in coconut flakes.


Depois disso, subimos até ao terraço das Galerias Illum – do género de umas Lafayette – com vista para a rua e praça principal de comércio – a Amagertorv.

After it, we went up to the roof of Illum – something similar to the Galleries Lafayette in Paris – with a view over the main CPH shopping street and square – Amagertorv.


Passámos pela Igreja de Mármore – que parte do mármore para a sua construção veio de Portugal!

We went by the Marble Church – which part of the marble used in its construction came from Portugal!



De seguida, atravessámos a praça em frente à igreja onde se encontra o Palácio de Amalienborg. Este é a residência oficial de inverno da família real dinamarquesa.

Then, we crossed the square in front of the Church where we could find the Palace of Amalienborg. This is the oficial winter residence of the danish royal family.




Do outro lado do rio, fica o lado hipster de Copenhaga – a Christiania. Como o sol já se tinha posto nesta altura, decidimos ir apenas até à Village Underground cá do sítio – o PapirHallen (ou Paper Island). É aqui que existe um mercado de comida gigante e com um design alternativo (que para nosso azar, estava fechado) e um museu de arte comtemporâmea – o Copenhagen Contemporary.

On the other side of the river, it's the hipster side of Copenhagen – Christiania. Since the sun had already set, we decided to just pass by their Village Underground – PapirHallen (or Paper Island). It's here that exists a huge alternative-design food market (to our misfortunate, it was closed) and a contemporary art museum – the Copenhagen Contemporary.


Aqui vimos três exposiçōes diferentes, sendo que foi a primeira a que mais me marcou. Esta consistia na visualização de um filme em que a banda americana The National tocava uma das suas músicas, "Sorrow", de 3 minutos e meio, durante 6 horas seguidas. Com isto, o artista islandês (nome em baixo) queria mostrar como uma melodia se alterava de acordo com a fatiga. Também é interessante entrar na sala de visionamento e tentar adivinhar em que altura o vídeo se encontrava. Na altura em que entrámos, os músicos estavam suados e o cantor já só murmurava, daí termos deduzido que se encontrava na última das seis horas.

Here we attended three different expositions, and it was the first one that impressed me the most. It screened a film where the American band The National performed their three-and-a-half minute ballad  "Sorrow" on repeat for six hours. With this, the Icelandic artist (name below) wanted to show how a melody could change due to fatigue. It is also interesting to enter the display room and try to guess how many hours they were into it. When we got there, the musicians were all sweaty and the singer was mumbling words, so we figured it would've been one of the last hours.

22 January 2017

Life Update.


Desde o meu último post (aqui), dei a dica de que estava a viver noutro sítio. Hoje, venho esclarecer-vos as dúvidas.

Depois de ter estagiado durante três meses na NIT – uma revista digital de lifestyle –, algo me aguardava: uma experiência profissional no estrangeiro.

Foi a meio do verão que esta oportunidade surgiu. A minha meia-irmã, que vive na Dinamarca, estava a passar o verão em Portugal, e viu-me num desespero pós-licenciatura. Entre saltos na piscina e mergulhos no mar, eu estava a preparar-me para o mundo semi-real ('semi', porque estaria à procura de um estágio a curto prazo e sem repercursões de efectividade). A ânsia de querer arranjar algo, e algo de que gostasse, estava a aumentar, aliado ao facto de não saber se estava sequer preparada para entrar neste mundo.

Após ter enviado uns 10 CVs e cartas de apresentação e de não ter obtido nenhuma resposta – ter sido a meio do verão também não ajudou –, a minha irmã veio "salvar-me". Ela propôs que eu fosse viver com ela em Copenhaga e que arranjasse algo por lá.

Depois de um anúncio na sua página de Facebook, surgiu uma oferta (e com indícios de pagamento). Estaria tudo arranjado para eu ir fazer um marketing training logo em Setembro, até que, a duas semanas de ir, recebo um email da NiT a chamar-me para uma entrevista (esta teve duas fases: a primeira, uma entrevista/conversa e, a segunda, um teste onde teria de encontrar um sítio completamente novo em Lisboa, e que não tivesse sido falado ainda pela plataforma, e escrever um artigo com a linguagem da NiT – escusado dizer que foi uma missão quase impossível).


foto de ICM

Ao conseguir o estágio na revista online, decidi ficar por Lisboa e começar a minha experiência profissional num ambiente caseiro. Foi arriscado, pois poderia perder a oportunidade paga na Dinamarca, mas foi na NiT que cresci: percebi como o mundo gira, como as pessoas precisam das outras pessoas, de que a comunicação é o bem mais precioso. Percebi como funciona uma revista, como as pessoas se comportam num meio de trabalho mais descontraído e que técnicas utilizam para obter informação. Aprendi a escrever algo cativante e a estar em cima de cada novo evento. Sujeitei-me à "escravatura" laboral por iniciativa própria e senti-me realizada com cada peça de notícia publicada em meu nome.

Foi na NIT que me encontrei dentro de um núcleo de informação e onde vivi a experiência de trabalhar para uma "fábrica" de notícias. Sem este primeiro estágio, nunca teria a ousadia de perguntar a pessoas estranhas o que fazem e que detalhes me poderiam dar, nem de me meter num backstage da Elite Model Look à procura do meu lugar, porque sendo press eles queriam-me lá dentro.

Foram três meses intensos, com altos e baixos, com momentos de agitação, diversão e, por vezes, sim, monotonia. Mas foi a minha primeira experiência de trabalho e mudou-me.



Agora, o UPDATE per se. O estágio remunerado na Dinamarca esperava-me. Foi a 3 de Janeiro deste ano novo que comecei a fazer a mala para vir passar uns dos três meses mais frios e para trabalhar com pessoas estranhas a mim (e que falam uma língua ainda mais estranha – acreditem, dinamarquês é do género de um mandarim com alemão, impossível de se perceber).

Sim, foi difícil. Eu sempre fui de aventuras, de conhecer novos sítios e começar novas rotinas, mas estando numa relação, tudo se torna mais difícil. Quando fui viver para os Estados Unidos em 2011 durante um ano, não pensei duas vezes nem olhei para trás. Okay que ia deixar a minha família e amigos, mas sabia que iam lá estar quando voltasse. No entanto, quando se tem uma pessoa mais próxima do que um amigo, a situação fica mais intensa e dramatizante. Eu sabia que tinha de agarrar a oportunidade, por muito que nos custasse. Debatia-me constantemente e pensava, "será que a minha vida profissional é mais importante do que a pessoal?". Porque, na verdade, quando não se está bem pessoalmente, o desempenho profissional não será o melhor. Prometemos fazer FaceTime todas as noites e falar sempre que pudessemos pelo Whatsapp. Prometemos, ainda, encontrar-nos pessoalmente a cada três semanas e marcámos possíveis datas para que pudessemos ansiar o dia em que nos vissemos (e não deprimir pelo facto de ainda faltarem 120 dias até o tal chegar).



Os dias anteriores à partida foram tristes. O embarcar sozinha e voar durante três horas a chorar também foi uma figura triste. A primeira noite é sempre a pior, mas depois, quando se entra na rotina e se tem de mostrar uma carinha bonita, a tristeza é disfarçarda e, eventualmente, as saudades atenuam. É o processo de uma relação à distância.


Em relação ao estágio.O trabalho cá tem sido caótico: estou encarregue de quatro marcas diferentes – pois o sistema de trabalho cá é baseado na igualdade entre funcionários, ou seja, não há hierarquia e tenho de fazer tanto ou mais do que os meus superiores (o que adiciona um stress-zinho extra a cada dia, mas dá "pica"). Além de gestora de redes sociais e assistente de marketing de três marcas de roupa (o sítio onde trabalho serve de distribuidor principal da FILA, Replay e Le Coq Sportif para a Dinamarca e para o resto da Escandinávia, por isso é um big deal), desempenho também a função de gestora de marca. Esta marca que giro está associada a um serviço de subscrição de produtos orgânicos que são entregues todos os meses à porta dos inscritos – esta marca é tão interessante, apaixonante e cheia de potencial que irei falar mais sobre ela soon.


Já lá vão duas semanas de trabalho e de rotina nova, de novos contactos, de estar com a parte da família que normalmente só via uma vez por ano. Tenho comido muito danish smørrebrød, o tal pão escuro com carnes frias ou salmão por cima, molho, cebola frita e pepino; tenho ido ao ginásio e tenho tido muito frio fora de casa (a média tem rondado os 0ºC) – o que vale é que no interior das casas e do escritório pode-se estar quase de t-shirt.

Já visitei o centro, descobri 10 cafés que quero visitar e partilhar convosco aqui pelo blog e já tenho planos de viagens para fazer a partir de Copenhaga – a vantagem de estar cá mais para cima na Europa é a curta distância a que me encontro de grandes cidades.


Por isso, não é o fim do mundo... pelo contrário.